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Mulheres empreendedoras do Vergel ganham linha de microcrédito de até R$ 2 mil para seus negócios.


Uma linha de microcrédito exclusiva para mulheres do bairro do Vergel e do Pontal que será capaz de emprestar, em condições facilitadas, até R$ 2000 para a montagem ou ampliação de seus próprios negócios: essa é a Trilha da Mulher Empreendedora, mais novo programa do Banco Laguna, banco social criado pelo Instituto Mandaver, que será lançada neste sábado (26/3) com o objetivo de ajudar a promover o desenvolvimento econômico da comunidade.


Com parceiros como a Incubadora de Economia Solidária da Ufal, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), a ong Gerando Falcões, o Sebrae-AL e o Fundo Social da Braskem, a Trilha da Mulher Empreendedora nasce com o objetivo de ir muito além do apoio financeiro: para obter o microcrédito, as candidatas a empreendedoras passarão primeiramente por um treinamento de 36 horas sobre temas como a criação de um plano de negócios, gestão financeira, a formalização como MEI e educação matemática. “Mais do que o dinheiro para investir nas ferramentas e insumos, sabemos o quanto é importante oferecer suporte e orientação para que esses pequenos negócios prosperem”, afirma Lisania Pereira, presidente do Instituto Mandaver e fundadora do Banco Laguna.


Uma das 10 mulheres selecionadas para fazer parte do grupo piloto que recebeu o capital semente do projeto em 2021, Crislaine Araújo, 22 anos, é exemplo do quanto o pequeno capital e a consultoria oferecida têm o poder de mudar uma vida. De jovem sem perspectiva e autoconfiança, ela hoje é dona da Crislaine Store, loja de moda feminina física e online ao lado de sua casa, no Vergel. “Eu entrei no programa apenas para ver o que era, mas não acreditava que seria capaz de algum dia ser uma empresária e realizar meu sonho de trabalhar com moda”, conta. “Mas quando passei pelas etapas da seleção e dos treinamentos e fui contemplada com o capital-semente, vi que tinha chegado a hora e segui em frente”, diz.


Inicialmente, a expectativa do projeto é oferecer cerca de 45 linhas de microcrédito nos valores de R$ 1500 (para novos negócios) e R$ 2000 (ampliação de negócios existentes), com carência de 60 dias e pagamento em 8 parcelas. O crédito é liberado de forma diferente das práticas bancárias convencionais, pois os perfis e negócios são avaliados por um conselho comunitário.


“Com valores como esses, conseguimos oferecer as condições iniciais para que profissionais como manicures ou doceiras, por exemplo, invistam em seus primeiros materiais de trabalho e possam sair da pobreza”, explica Lisania Pereira. Todo o lucro obtido com os empréstimos é reinvestido na própria comunidade, com o intuito de gerar renda.


Além dessa primeira linha de microcrédito exclusiva para mulheres, a previsão é de que, em breve, o Banco Laguna também possa abrir novas linhas para empreendedores da região do Vergel. “Sabemos que muitos dos pescadores, por exemplo, precisam alugar o motor de seus barcos para que possam trabalhar”, conta Lisania. “Se pudermos emprestar a ele o valor do motor, em poucos meses ele fica dono do equipamento e se livra deste aluguel, aumentando sua renda”, completa.


De acordo com um levantamento feito pela consultoria Mescla em parceria com o Sebrae-AL com 400 moradores do Vergel, mostrou que o bairro tem predominância feminina (57%) e que a maior parte dos habitantes não possui emprego (53,5%).


Dos que possuem algum tipo de emprego (46,5%), 37,64% são marisqueiros ou sururuzeiros. O estudo mostrou ainda que 46,8% dos entrevistados vivem com menos de um salário-mínimo por mês; e identificou que 79% da população do Vergel nunca usou algum tipo de empréstimo durante toda a sua vida.


“Estamos falando de uma região totalmente ignorada pelo sistema bancário convencional. Por isso a criação de um banco comunitário como o Banco Laguna é tão vital para que se possa começar a transferir renda através do microcrédito e seguir com nosso objetivo de potencializar a economia local”, explica Lisania Pereira. “O território do Vergel não é pobre, mas sim empobrecido. Por isso trabalhamos para que a renda produzida circule no próprio território”, completa.


Sobre o Banco Laguna


Criada há um ano, a primeira linha de microcrédito ambiental do Banco Laguna, chamada de EcoSururul, já apresenta seus primeiros resultados transformadores para a região. Idealizada para incentivar que as marisqueiras do Vergel coletassem as cascas de sururu que antes eram despejadas desordenadamente na lagoa, o programa já distribuiu 12 mil reais às marisqueiras por meio da moeda social “Sururote”. Por mês, cada marisqueira pode entregar o limite de até 40 caixas de cascas de sururu, o que equivale a 520 kg mensais. Em troca, recebem 260 sururotes do Banco Laguna, o que corresponde a R$ 260,00, que podem ser investidos na compra de produtos alimentícios e de higiene pessoal no comércio local.


Em um ano, 17 toneladas de cascas já foram recolhidas e encaminhadas para o Projeto Qualificação do Ciclo Produtivo do Sururu, que consiste na produção do Cobogol Mundaú, produto exclusivo da Porto Belo Design. A casca do sururu é triturada e transformada em diversos tipos de texturas para atender o mercado da construção civil, como por exemplo, a empresa Ibratin.


 

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